Aqui me tens de regresso

Sei que faz muito tempo que não conto minhas peripércias no blog, mas tenho um motivo muito pertinente: dei um tempo na corrida.

Esse tempo se deu por conta de um leve “trauma” que sofri no mês de agosto passado.

Pensando em mudanças e cansada de corridas de rua, resolve me inscrever na minha primeira corrida de montanha: o Circuito Carrera de Montanha, realizado no Pico do Urubu em Mogi das Cruzes.

A proposta era correr menos de 10 km em pouco mais de 1 hora – tempo que demoro para correr essa distância no asfalto. Que engano! Terminei depois de 2 horas, dois tombos, perna ralada, choro e certeza de que ia morrer.

Antes, fazendo pose, e depois, quase morrendo

Antes, fazendo pose, e depois, quase morrendo

Depois dessa experiência, vi que montanha não é o meu lugar. Sou urbana mesmo!

Mas peguei trauma de correr, desisti de algumas provas e resolvi tirar férias de corrida.

Estamos em 2014 e é já defini meus objetivos para este ano. Não será nenhuma maratona da vida como foi ano passado – meus anseios para este ano são mais modestos: 5km em menos de 30 minutos.

Etapa 2 Circuito Athenas

Ontem foi dia da segunda etapa do Circuito Athenas e o percurso escolhido foi o de 16 km.

Comprei o pacote das três etapas na cidade de São Paulo e vou progredir nos percursos: 10 km em maio, 16 km agora e 21 em novembro.

Dessa vez fiz uma coisa que há tempos não fazia: escolhi minha roupa no dia anterior e decidi ornar meu tom favorito, o roxo. Resultado: boné, regata e canelito roxos, combinando com uma bermuda preta e meu Noosa 8 que vai com TUDO! O único lapso foi o top laranja, mas todos os outros estavam lavando.

figurinoO dia amanheceu carrancudo e relampejante e assim que dei o start no meu GPS (comprei um, depois falo dele!) senti os primeiros pingos de chuva.

Entre os kms 1 e 7 corri entre garoa e tempestade nas margens do Pinheiros. Podem imaginar que além da água tinha que suportar o cheiro do rio… gostoso…

Quando estava perto da Berrini vi os primeiros raios de sol. Uma cena linda: eu tomando chuva e vendo o sol abrir seu espaço por entre as nuvens. Emocionei!

Ao contornar para voltar ao Transamérica, na Cidade Jardim, o sol já judiava e pela primeira vez na minha vida de corredora me perguntei sobre o porquê estava ali.

Minhas costas doíam, senti dores nas pernas que teimavam em não me obedecer, mas segui em frente, fazendo de tudo para não andar, mas por vezes foi inevitável.

Mesmo assim, meu objetivo era terminar os 16km em menos de 2 horas, e consegui! Fiz em 1h58m47s

athenasNão sei se minhas dores são reflexo do meu treinamento focado em subidas ou se estava cansada mesmo, já que acabo de me curar de infecção, mas nunca me senti daquele jeito.

Independente disso, gostei do resultado e quando cruzei a linha de chegada me senti realizada.

Trollada pelo médico

Fazia tempo que meu corpo não pedia atenção, além da endorfina.

Fiquei doente e tive que rumar emergencialmente para o hospital com dores no abdômen.

Hipótese de apendicite descartada, uma vez que nenhum ser humano possui 2 apêndices (tirei o meu quando tinha 14 anos), o médico do PS apalpou minha barriga, eu xinguei horrores e tive o diagnóstico: infecção urinária.

Estou me tratando com antibióticos que tiram meu paladar e me deixam mais enjoada do que eu já estava, mas o que me incomodou bastante foi a anotação do médico no meu prontuário: “Dores abdominais fracas (fracas, como assim? Até te xinguei!) e barriga flácida (oi?! me mato na academia pra ficar durinha, meu objetivo é correr de top e ganho isso? Achei muito injusto!)

É o fim da picada! Além de sofrer de dores por 8 horas para ser atendida, ainda ser trollada pelo médico.

Circuito Athenas

Como parte do meu propósito para este próximo ano, o de correr de top, tive que redefinir algumas prioridades. Nessas, meus treinos exaustivos de 3 horas, passaram a treinos intensos de meia hora para queimar mais gordurinhas na esteira e treinos mais fortes de final de semana com mais de 10 km.

Não é à toa que a escolha das provas também foi influenciada.

Confesso que o fator $ também foi colocado em pauta, já que meus objetivos financeiros deixaram de ser minha viagem.

Pensando nisso, pretendo correr poucas corridas, dentre elas estão as que compõem o Circuito Athenas.

A primeira etapa foi no dia 19 de maio, quando corri 10 km. Meu objetivo era baixar meu tempo nos 10kms, mas não consegui – fiz em pouco mais de 1h06m. Tempo menor que o habitual, mas não menos que meu recorde na EcoRun do ano passado quando completei na faixa doa 1h03m.

De qualquer maneira, foi a primeira vez que corri na rua depois de voltar e me senti muito bem.

Sei que já passou mais de 1 mês dessa última prova e não tenho tido tempo para me dedicar aos treinos como gostaria. Mas tenho um novo propósito que vale à pena correr atrás!

201743

De volta

Voltei de Paris e posso dizer que não sou mais a mesma, pelo simples fato de que durante a viagem tracei ou reforcei desafios na minha vida.

Repensei meu lado pessoal, profissional, acadêmico e dentro da caixinha “pessoal” redefini meus objetivos corporais.

Nunca me considerei uma pessoa magra, durante a infância/adolescência diziam que eu era “robusta” (odeio essa palavra até hoje) e desde sempre tenho o perfil “boazuda”.

Sofri durante anos da minha vida para emagrecer, fiquei doente e até hoje não me vejo magra como as pessoas atestam – meu espelho é mais cruel que os olhos dos outros. Aprendi a conviver com o meu corpo, mas confesso que nunca tive o corpo que sempre quis.

A maratona e todo seu processo me fizeram entender que eu sou capaz se eu me comprometer comigo mesma e me dedicar, e é com esse pensamento que eu me propus um novo desafio: correr de biquíni ou de top, tipo isso:

Lógico que dentro do meu perfil de corpo: pouco peito e muito a mais de bunda.

Para alcançar este objetivo, sei que a corrida será das minhas principais aliadas, mas a malhação já está bem mais intensa do que nos treinos para a maratona.

Junto com esse objetivo corporal, me determinei a correr em solos diferentes, pois enjoei um pouco do asfalto e muito da esteira, com isso, já me inscrevi na minha primeira corrida em montanha, mesmo sem saber o que me espera.

Posso ter passado a barreira dos 42 km, mas estou sempre em busca de novos desafios.

Última corrida na Cidade Luz

Sei que estou com os relatos atrasados, mas a correria pós-retorno é tão grande, que só agora, mais de um mês depois da minha volta, falo sobre a minha última corrida na Cidade Luz.

Fechei dois tours por Paris com o Jean-Charles do Paris Running Tours, a primeira descrevi aqui no blog, com um percurso mais curto, de quase 10 km. Já o segundo era bem mais extenso, passando por pontos diferentes da cidade e conhecendo lugares que não são tão visitados por turistas.

Fazia um dia lindo, porém frio, uns 8 graus, estreei minha bandana azul de 1001 utilidades (ela amarra de várias maneiras) e fui desbravar Paris.

Aconselho a todos que correm procurar correr pela cidade – as calçadas são niveladas, e no início da manhã vemos poucas pessoas pelas ruas. Não tente correr depois das 9 da manhã, pois as pessoas, tanto turistas como locais, já começam a tomar as ruas.

TourManoella2PourBlogCorri quase 20 kms em pouco mais de 2 horas, pois parávamos para vislumbrar a cidade que em 24 horas deixaria de ser o meu “lar”.

Passei por lugares como a Ópera Garnier

2013-04-29_07_OperaGarnierMandei um “salve” para o Brasil

2013-04-29_05_AmbassadeDuBresilDei um “oi” pra Torre Eiffel (linda e mágica de qualquer ângulo)

2013-04-29_02_AvenueDuPdtWilsonVi a Catedral de Montmartre

2013-04-29_08_MonmartreCheguei perto da estátua da Liberdade…

2013-04-29_01_PlaceDeLAlmaPelo menos da réplica da sua tocha. Tal monumento é confundido e muitos depositam flores em homenagem à Princesa Diana, que morreu no túnel que passa embaixo.

E passei por galerias retrôs, chiques nos seus tempos áureos, lá pelos anos de 1850…

2013-04-29_10_PassagesSem contar a casa mais antiga de Paris, datada de 1407. Infelizmente não tirei foto na frente dela, nem dos primeiros arcos da cidade (não, o Arco do Triunfo não é o único arco de Paris), dedicados a Luis XIV.

Foi um ótimo jeito de me despedir da cidade. Recomendo!

Pra quem quiser ler o post que o Jean-Charles escreveu, tem em inglês e em francês.

Bom lugar para correr em Paris

Paris está cheia de bons lugares para correr – as ruas são planas, as calçadas pouco acidentadas, sem contar que a cidade é repleta de parques e jardins propícios para uma corridinha.

Já falei em posts anteriores das margens do Rio Sena e do Jardim das Plantas, mas temos também as imediações de Montmartre, caso queira treinar subidas e, nos mesmos moldes do Jardim das Plantas, mas com maior dimensão, a pedida é o Jardim de Luxemburgo.

Jardim de LuxemburgoNo fundo, o Jardim de Luxemburgo é um grande complexo com museu, palácio, jardim, tudo cheio de beleza e bom gosto, sendo um lugar perfeito pra esticar as pernocas sobre a grama, fazer um pic-nic, jogar conversa fora ou simplesmente curtir o ócio.

LuxembourgDurante as tardes, o Jardim é tomado por turistas e locais para aproveitar o sol da primavera, mas nas primeiras horas do dia é o lugar perfeito para correr (e se tornou meu lugar preferido para correr Paris).

LuxemburgoCorri a primeira vez lá na companhia da Kim, uma anglo-canadense, colega de curso de francês, doutora em economia pela Oxford, inteligentíssima, engraçada e cativante, que além de correr Paris, já correu uma prova na Antártida – sim! Antártica, polo sul!

Corríamos e conversávamos, contando nossas experiências pela Cidade Luz. Fazia tempo que não corria na companhia de alguém, então aproveitei minha nova colega de corrida. Além de conversar, pude compartilhar a beleza daquele lugar: tulipas, chafariz, palácio, árvores, tudo tão lindo, que traz uma nova experiência ao ato de correr.

Nature au LuxNão sou muito fã de correr de manhã – a preguiça impera, – mas fiquei tão encantada pelo lugar, que voltei mais duas vezes para correr às 7 da manhã, com o dia recém-nascido.

Tulipas